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A Pastorinha

por cincodiasuteis, em 30.07.14

Meus amigos, quero anunciar o fim da minha participação neste blog.

 

Eu gosto muito daquilo que é incomum. Gosto particularmente de quem se destaca colocando sentimento e paixão diariamente no seu trabalho. Aquelas pessoas que não são apenas mais uma ovelha do rebanho, um grão de areia na praia ou uma gota no charco. Trata-se de pessoas que conseguem chegar directamente aos corações, desde os mais frios aos mais quentes e ternos. Nem precisam de pagar via verde. Ágata é uma dessas pessoas.

 

Maria Fernanda, o verdadeiro nome de Ágata, tem a capacidade de adoçar o mais rezingão dos rezingões. Certamente que o nome “Doce” para a banda da qual ela fez parte não foi posto ao acaso. Como nada na carreira de Ágata é feito ao acaso. É uma artista de uma geração mais antiga e que leva o rigor ao expoente máximo. Foi assim que trilhou o duro caminho para o sucesso e ganhou o seu espaço no mundo musical português. Outros tempos…

 

Ágata é uma daquelas artistas que fala sobre temas em que os demais não se atrevem nem a pensar. Há muita poesia sobre amor, a finitude da vida, a liberdade ou o passado. São temas comuns. São para qualquer um. Muda a assinatura no final do poema, mas é sempre o sujeito poético que diz. E a comunhão de bens? Este é de resto um dos trabalhos que maior reconhecimento deu à cantora lisboeta. É um tema vanguardista que reflecte sobre o desprendimento em relação aos bens materiais na altura de optar pelo amor desinteressado: o amor a um filho. É este o tipo de reflexões que constroem a identidade de Ágata. Uma artista cuja individualidade ultrapassa as barreiras do sujeito poético.

 

Ágata decidiu pôr um ponto final na sua carreira. Foram 40 anos. Certamente uma decisão que não se toma da noite para o dia. Uma decisão que exige reflexão e que é bastante dura. Dura para ela e para todos aqueles que fazemos parte da sua enorme legião de fãs. Uma decisão irrevogável e só capaz de ser repensada pelos enormes pedidos dos fãs para que tal coisa não se tornasse uma realidade. E os desígnios de Deus, claro. Ágata abriu o livro “ As Mensagens de Jesus Para Ti” aleatoriamente e leu a frase “desistir não é opção” o que a fez repensar. Para mim, esta é a verdadeira prova de que Deus existe. Se Lúcia merece ser santa porque viu Fátima, Ágata também merece. Nós rezámos a Deus para que Ágata não acabasse a carreira e Deus transmitiu-lhe a mensagem. No fundo, Deus foi um estafeta dos CTT.

 

Este texto fez-me repensar. Não sei se vou deixar de escrever neste blog. Depois logo vos digo.

 

Francisco Mendes

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