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Daltonismo Masculino

por cincodiasuteis, em 27.10.14

Tudo aquilo que não compreendo fascina-me. O mundo das mulheres é uma dessas coisas. Desde logo a começar pelos saltos altos e pelo esforço que fazem em andar em cima de uma superfície tão instável e que põe o tendão de Aquiles em maior perigo do que o do próprio Aquiles. Já para não falar da maquilhagem e de todo o esforço que têm que fazer para não desmanchar nada. Há ainda a questão das saias compridas e a obrigação que têm de as segurarem para que, quando sobem escadas, não dêem um trambolhão enquanto o Diabo esfrega um olho.

 

Aquilo que mais me diverte é ver os nomes das cores das tintas para o cabelo e dos vernizes para as unhas. Só não vêem um rapaz tão entusiasmado quanto algumas mulheres junto às prateleiras dos produtos cosméticos a ler as embalagens de tinta porque tenho alguma vergonha.

 

A minha incompreensão reside no facto de, para mim, existirem apenas 3 tons para cada cor: claro, escuro e normal. No fundo, é um pouco como o bife: bem passado, mal passado ou médio. Mas as mulheres não poderiam ser tão primárias quanto eu. As mulheres são sofisticadas pelo que os nomes das cores das tintas são tão complexos como a rosa-dos-ventos. Não basta o norte e oeste, por exemplo. É preciso o noroeste. E ainda o nor-noroeste para se ser mais preciso.

 

Quem quer pintar o cabelo de castanho não pinta de castanho e já está. Pode pintar de chocolate, chocolate noite, chocolate puro, chocolate dourado, chocolate quente ou bica e jornal (vá, as últimas duas são a brincar), por exemplo.

 

Quando passamos para os vernizes, os nomes adquirem uma conotação a puxar mais o lado sensual da mulher. Vão desde o “Sexy Candy” ao “I’m Elegant”, do “Passion Fruit” ao “Irresistible” passando pelo “Sexy In The Rain” e pelo “Burning Passion”. Se houvesse o equivalente mas para os homens, chamar-se-iam “executivo”, “bombeiro”, “canalizador” ou “marinheiro”. Era uma espécie de Kidzania.

 

Isto tudo para pedir um pouco de compreensão ao sexo feminino quando mudam alguma coisa no seu visual e nós não reparamos. Não se trata de não repararmos em vocês. Apenas não conseguimos ter a precisão do vosso olho de falcão, capaz de detectar toda e qualquer diferença cromática. É uma fraqueza, é certo, mas a sofisticação não está ao alcance de todos.

 

Francisco Mendes

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