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Ela e o romancista

por cincodiasuteis, em 01.09.14

No fundo do meu ambiente de trabalho deixei de ter uma fotografia tua para passar a ter uma fotografia do gigante escritor russo Liev Tólstoi (a minha mais recente paixão, que, ainda esta semana, merecerá uma crónica).

Na universidade, quando entrevistei o Ricardo Araújo Pereira, ele disse-nos qualquer coisa assim: as pessoas que manifestam publicamente a sua intenção de escrever um romance não querem mais do que um adiantamento de prestígio.

Eu quero muito escrever um romance. Estou à vontade, assumo sem rodeios, talvez porque já tenha pedido o meu adiantamento de prestígio, precisamente quando entrevistei o Ricardo Araújo Pereira na universidade - aliás, continuo a pedi-lo sempre que falo nisso. 

Eu quero escrever romances. Adoro poesia, mas quem tenho no fundo do meu ambiente de trabalho é o Tólstoi. É irónico, pois tu, que foste trocada, és toda mais poesia, até no que escreves, aqueles blocos de palavras que só ao longe (na parede de um oftalmologista) parecem prosa! 

Os poemas que escrevo não os levo muito a sério; raramente me angustiam.

Fica, então, aqui, nesta crónica, uns versos do futuro romancista (se Deus quiser):

A essência rodeada de corpo,
mais até do que o teu corpo,
é o que Lhe peço de ti. 

E algumas vezes não vejo,
entre versos que não são,
a tua carne viva.

É um sopro que apaga os versos 
a humidade e o calor.

O sopro também é não - 
ser absoluto sim e não.

Algures na eternidade amei-te - 
assim te falo, Catarina, do meu valioso presente.

António Vieira Trindade

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