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O Fim da Idade do Ouro

por cincodiasuteis, em 04.08.14

Estamos em Agosto. O mês em que a maioria dos portugueses vai de férias. O mês em que o Algarve é o Allgarve para os estrangeiros e o Hellgarve para os residentes. O mês em que os ingleses exibem a meia branca com o chinelo. O mês em que o português anda de camisola branca com manchas de vinho tinto, fio de ouro ao pescoço e lamenta a pré-temporada do Benfica.

 

Eu bem que tenho tentado evitar os assuntos económicos, mas por estes dias não vou conseguir evitar. Afinal de contas, são as primeiras férias desde que a troika se foi embora de Portugal. Desenganem-se aqueles que acham que podem ter umas férias acima das suas possibilidades. É naquelas pequenas coisas que se faz a diferença. Nada de férias à grande e à francesa. Deixo aqui três conselhos fundamentais para umas à pequena e à portuguesa, passo a redundância.

 

Comecemos pelo local. O estrangeiro está fora de questão. Não só é acima das possibilidades como corre-se o risco de ver como é viver e achar que se pode vir viver para Portugal. Não. Portugal é o país indicado para se sobreviver. Viver é um luxo apenas dos mais abastados.

 

No que diz respeito ao transporte, a melhor forma para fazer a viagem é de bicicleta. Não se gasta dinheiro em combustíveis e toda a gente fica em forma e sem precisar de se preocupar por comer uma Bola de Berlim – atenção!- em dia de festa. Por outro lado, dado que o percurso da Volta a Portugal é todo ele de Lisboa para cima, é uma oportunidade única para as pessoas do sul ficarem a saber o que é uma bicicleta.

 

Quanto ao alojamento, se se conseguir um hotel baratinho, recomendo que mais vale pagar um pouco mais para ter pequeno-almoço incluído, pois assim pode-se roubar pão para comer o resto do dia. O dinheiro a mais é compensado para o resto das refeições. Se mesmo um hotel baratinho é acima das possibilidades, recomendo que se acampe na praia à noite. Não se paga alojamento e não há mais perto da praia do que a própria praia. É importante referir que não pode ser no Meco, a Meca dos anti-praxe.

 

Escusado será dizer que depois é passar as férias o mais quietinhos possível e sem fazer barulho. Já não estamos sob o memorando, esse juramento mágico que os muggles não compreendem, mas eles (sejam lá quem eles forem) estão de olho em nós. Ah! Se for possível, este ano não usem o fio de ouro ao pescoço. Para além de ser de mau gosto, o ouro está acima das nossas possibilidades. Vendam isso para pagar a prestação da casa ou do carro. Estamos mais à frente. Já não estamos na Idade do Ouro.

 

Francisco Mendes

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