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O mimo e o pregador

por cincodiasuteis, em 24.07.14

1. “As palavras valem pouco; os gestos são mais importantes.”

Gosto de reparar neste lugar-comum. É importante falar da distância entre aquilo que é prometido e aquilo que é feito (não é uma preocupação menor); mas, quando se diz isto, costuma haver, além desta última, outra ideia na cabeça das pessoas: as palavras são inacção; e é muito curioso dar por ela no Facebook, onde há tanta partilha de sentenças, como aquela que dá o mote a este texto, em molduras floridas e cintilantes. Lá tudo é palavra (no sentido largo de palavra).
Partilha-se uma frase no Facebook; é uma palavra ou um gesto? O cronista pode ser acusado de preguiça por levantar uma questão sem propor uma resposta, mas ser coerente pode dar ainda menos trabalho. 


“De que valem as palavras? Os gestos são mais importantes!”


É a teoria e é a prática – uma divisão de que as pessoas gostam e da qual eu sempre desconfiei, principalmente porque passado um tempo confunde-se teoria/prática com inacção/acção. De onde vem a ideia tola de que as palavras são inacção ou uma fina camada de acção que esconde a necessidade de uma acção maior?

A palavra tornou-se inimiga da diligência.
“Uma imagem vale mais que mil palavras.”
Entretanto um provérbio deturpado. Mais confusão: um mimo parece-lhes melhor do que um pregador. Confiam no mimo – ele está a fazer…

2. Tirem os olhos do computador e olhem para o céu, para o verso mais bonito de sempre. “No princípio era o Verbo.” (João 1:1).
Porque não há a palavra de Deus nas aulas de Semiologia? Aliás, porque não há a palavra de Deus na universidade?

 

António Trindade Vieira

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