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O Pedro e o Coelho

por cincodiasuteis, em 24.09.14

Já há muito tempo que um Primeiro-Ministro português não tinha uma polémica com a Justiça. Desde o Primeiro-Ministro anterior. Aliás, já há muito tempo que um elemento do Governo não tinha uma polémica com a Justiça. O último, se não me falha a memória, foi Miguel Relvas. Provavelmente, estamos perante um novo record nacional. Não sei se atinge os mínimos olímpicos, mas é de louvar, ainda assim.

 

A polémica reside no facto de, alegadamente (a palavra que toda a gente usa para não querer ter polémicas com a Justiça), Pedro Passos Coelho ter sido deputado em regime de exclusividade e, ao mesmo tempo, ter recebido dinheiro da empresa onde trabalhava na altura.

 

O Primeiro-Ministro esteve bem ao mostrar-se disponível para que investigassem (matem-me! Elogiei o Primeiro-Ministro!). Se isso vai ser feito de modo imparcial e sem qualquer tipo de pressão, não comento. Deixo para outros a caça às bruxas.

 

No caso de se confirmar esta situação, Passos Coelho incorreu, pelo menos, num crime fiscal. Ainda assim, pode já ter prescrito. Se for o caso, esperemos que tudo não dê em nada. Aquilo que está em causa é a integridade do homem que mais esforços tem pedido aos portugueses nos últimos anos. Tudo tem consequências – mesmo aquilo que já lá vai há algum tempo. Se Passos Coelho comesse um iogurte com o prazo de validade da altura em que, alegadamente, cometeu este crime fiscal, provavelmente teria consequências – o resultado seria semelhante ao resultado da sua Governação.

 

As gentes da esquerda é que já se começam a agitar. E este é outro dos problemas das oposições em Portugal. Agitam-se demasiado por tudo e por nada. Se se confirmar, para mim, é um caso que devia dar direito à demissão do Primeiro-Ministro ou à destituição do mesmo pelo Presidente da República. O problema é que na oposição tudo é motivo para que isto aconteça e, quando chega uma verdadeira razão, já ninguém liga àquilo que eles barafustam e tudo passa incólume.

 

No fundo, é um pouco como a história do Pedro e do lobo. Com a diferença de que nesta história as duas personagens estão aglutinadas numa só: o Pedro é também o Coelho (em vez de lobo). Mas aqui está à vontade. Na literatura não há regime de exclusividade.

 

Francisco Mendes

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