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O Zé Povinho Deu o Nó

por cincodiasuteis, em 10.10.14

Há uns tempos, aquando da fundação do Novo Banco, eu terminei dizendo que só esperava que no final não sobrasse para o mexilhão. E eis que a Ministra das Finanças já veio avisar que é bem provável que sobre.

 

 

Eu não sou nenhum visionário. Por mais palavras bonitas que os economistas digam sobre as situações económicas e por mais garantias que dêem, qualquer pessoa torce nariz, franze a testa, coça a cabeça e contrai a barriga. Mais ainda quando o assunto envolve bancos e banqueiros.

 

No fundo, o Novo Banco é como um daqueles bancos em que é preciso meter um papel debaixo de um dos apoios para que ele não esteja instável. O problema é que o papel é sempre o mesmo – chama-se “lombo dos contribuintes” – e tem que suportar o peso de bancos, cadeiras, cadeirões, sofás, estantes e até penicos. Sobretudo penicos.

 

O povo é sábio e fica sempre bem dizer um provérbio (mesmo sabendo que alguns se contradizem. Mas adivinhem: as contradições existem). Se Ano Novo é sinónimo de vida nova, Novo Banco é sinónimo de novo buraco no cinto. O cinto dos portugueses é já, aliás, um picotado para puxar e fazer dali dois cintos. E eu sinto muito (tinha que ser. Desculpem!).

 

Quando eu li que os custos do BES podiam sobrar para os contribuintes, até fiquei feliz. Tendo em conta que “contribuinte” é aquele que contribui, pensei que fossem aqueles que mais contribuíram para esta situação que a fossem pagar, mas depois lembrei-me de que estamos em Portugal.

 

A justiça tarda, mas não falha, também diz o povo. Eu não quero contrariar, até porque já disse que o povo é sempre sábio, mas começo a ficar preocupado com a demora. O Zé Povinho tomou banho, vestiu a sua melhor roupa e até meteu perfume (espantem-se!) para um encontro com a Justiça e já está com varizes nas pernas de tanto esperar e as flores que levava já murcharam. Ainda assim, tem tudo para correr bem. A demora é tanta que, claramente, a Justiça é a noiva. Vai dar casamento.

 

Francisco Mendes

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