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Operação «Professor na Estrada»

por cincodiasuteis, em 06.10.14

Não sei se é uma coisa comum a todas as pessoas, mas estive em várias turmas e ouvi sempre os professores dizer que aquela era a pior turma da escola. Pelo menos, no que ao comportamento dizia respeito. Como se já não bastasse aos professores todos os dias terem que dar aulas às turmas mais malcomportadas da escola, ainda têm que lidar com o Ministério da Educação mais incompetente do país. Bem sei que é o único, mas tem sido tão mau que merece o epíteto. Não me venham dizer que isto é ver o copo meio vazio, porque não há forma de ver o copo meio cheio. Só há uma forma de não ver o copo meio vazio – vendo-o a transbordar de incompetência.

 

O Ensino precisa de uma reforma muito grande (este Ministério é que já se reformava). É uma daquelas áreas onde toda a gente se queixa: os resultados dos exames costumam indicar que os alunos não são lá grande espingarda, os professores queixam-se do Governo e os pais queixam-se de que os filhos ainda não têm professores.

 

Eu sou o primeiro a reconhecer que grande parte dos nossos professores deveria ser mais qualificada. Pelo menos é esta a experiência que eu tenho. Ainda assim, o Ministério não facilita. Como é que é possível que ano após ano o sistema de colocação dos professores seja tão deficiente?

 

Este ano, não é só a questão de haver turmas sem professores. Isso já é o esperado. Este ano chegámos ao cúmulo de alguns professores irem dar aulas e chegarem à escola onde tinham sido colocados e dizerem-lhes que afinal não iam dar aulas – vão receber uma lição do desemprego durante um ano.

 

Há tantos professores deslocados de casa que a Brigada de Trânsito devia lançar todos os fins-de-semana a operação “Professor na Estrada”.

 

É importante que os professores sejam tratados com dignidade para que se sintam valorizados e úteis. Muitos dos professores que estão nas escolas a tentar ajudar a trilhar o futuro das próximas gerações estão amargurados com o seu próprio destino.

 

Quando eu estudava e tinha uma nota mais baixa, costumava achar que o professor tinha sido um cigano. Em Portugal, eles são tão nómadas que são mesmo uma classe cigana. Por outro lado, há muitos que se queixam de que estão atrasados no programa. São professores caracol, mas é natural, dado que andam sempre com a casa às costas.

 

Por fim, gostava apenas que Nuno Crato tivesse a exactidão da Matemática que, em tempos, leccionou. Se não conseguir, tire um mestrado numa Ciência Humana, pois em Ciências Desumanas já tem o Doutoramento. Afinal de contas, Educação não é só dizer “se faz favor”.

 

Francisco Mendes

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