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Pim, PAN, Pum

por cincodiasuteis, em 28.07.14

É mais difícil encontrar sentido no Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN) do que encontrar a cabeça de um Cão de Água Português no meio daquela amálgama de pêlo. Isto porque, ao contrário do PAN, o Cão de Água Português tem cabeça. Mesmo para os mais cépticos. O PAN é um daqueles partidos urbanos que não fazem qualquer sentido. O PAN defende uma causa. Não tem uma ideologia. Se o PAN chegasse ao Governo, possivelmente, o Orçamento de Estado seria uma página do Word em branco para não usar papel e o hino nacional passaria a ser o “Fungagá da Bicharada” do Avô Cantigas.

 

Eu aprecio bastante o nome do partido. Em primeiro lugar, porque há uma distinção entre animais e natureza como se os primeiros não fizessem parte da segunda. Por outro lado, o nome dos partidos costuma ser uma coisa específica: Partido Social-Democrata (para os Sociais-Democratas), Partido Socialista (supostamente para os Socialistas) ou Partido Comunista Português (para os Comunistas). Este nome deixa de fora, logo à partida, todos aqueles que são contra os animais e/ou contra a natureza. Há alguém que se assuma contra a fauna ou contra a flora?

 

Não pensem que eu escrevi esta crónica sem fazer trabalho de pesquisa. Fiz o esforço de conter a respiração e entrei no site do PAN. A primeira coisa que me chamou à atenção é a lista de personalidades que os apoiam e que consta logo na entrada do site. Parece que estamos a jogar ao “descubra o intruso”. A lista é encabeçada por personalidades como Dalai Lama e Maneka Gandhi e é rematada com outras personalidades como o Heitor Lourenço, a Marluce ou a Ágata. Isto é mais ou menos o mesmo do que fazer um festival de música e juntar Queen e Rolling Stones com o Trio Odemira e o Augusto Canário. Depois consultei os membros do partido e fiquei desiludido por ver que não é um partido liderado por alguém chamado António Borrego, José Coelho ou Rita Barata. Meus amigos, a isto eu chamo falta de visão política.

Este partido sempre esteve longe de chegar a qualquer lugar de governação. No entanto, segue o exemplo dos outros partidos. À direita do site têm o NIB para quem quiser doar dinheiro. Ainda não chegaram a lado nenhum e já nos estão a pedir dinheiro. No caso do PAN, eles não nos meteriam a mão nos bolsos. Meter-nos-iam a mão na bolsa marsupial.

 

Espero que não me interpretem mal. Eu sou a favor da discussão e da pluralidade de ideias. Não me parece, no entanto, razoável que um partido com uma visão tão limitada apenas a um assunto devesse sequer ser um partido. Já há associações. Mantenham-se nela e integrem outros partidos onde debatam esta causa e outras. A política deve ser para quem tem interesse em política. Não deve ser para quem almeja a moldagem das vidas alheias.

 

Mais importante ainda! - a política também deve ser para aqueles que podem ser ofendidos. No caso do PAN, chamar-lhes cães, bois, porcos ou burros ia ser levado como elogio e isso ia dificultar a vida a muita gente. 

 

Francisco Mendes

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