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Prometo Falhar

por cincodiasuteis, em 29.10.14

Regra geral, as coisas repetitivas são cansativas. Não sei bem que vírus se espalhou por aí (só sei que não é Ébola) que, sobretudo pessoas do sexo feminino, começaram a partilhar massivamente citações do Pedro Chagas Freitas nas redes sociais. Nunca li nada do senhor para além das citações às quais não há fuga possível. Aquilo que se vai seguir é a minha descodificação de um pot-pourri das melhores.

 

“Uma mulher sincera é a coisa mais excitante do Mundo”. Principalmente se disser ao homem o quão mau ele é.

“Há um equilíbrio ténue entre o que te faz andar e o que te faz parar; muitas vezes, é o que te faz parar que te faz andar”. O que é um equilíbrio ténue? O equilíbrio tem graus? É como a gravidez? “Amiga, estás tão grávida!”. Há coisas absolutas. Ou está grávida ou não está. Ou há equilíbrio ou não há.

“O orgasmo deveria ser considerado serviço público e as prostitutas deveriam receber louvores e reconhecimentos – não conheço nada que faça tão bem ao stress”. Eu bem me parecia que a CMTV andava a roubar o serviço público à RTP à noite.

“Amas por exclusão de partes. Amas até a tua parte ser a excluída”. Como assim amas por exclusão de partes? São todos tão maus que ficamos com o menos mau?

“Quando acordares, acorda-me para te ver acordar, sim?”. Isto é a coisa menos romântica que ele já escreveu. No fundo, um dos apaixonados vai apenas meter o despertador antes do outro só para ver as olheiras, as ramelas e o mau hálito matinal. É um pouco como aquele pensamento: “estás apaixonado e queres deixar de estar? Imagina a outra pessoa na sanita”.

 

Pronto, acho que já se percebeu mais ou menos a ideia. Admito que grande parte das citações possam estar descontextualizadas e assim não façam sentido. Mas é precisamente assim que elas são partilhadas com aqueles grandes fundos das imagens de capa do Facebook. Não é nada contra o escritor ou contra este tipo de livros, apesar de não fazerem o meu tipo. É mesmo contra a praga de frases sem sentido e que são partilhadas. Se ofendi alguém, peço desculpa. Não era a minha intenção. Ainda assim, já sabem, prometo falhar.

 

Francisco Mendes

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