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B e K.
Revi-as no metro.
Abordaram um rapaz, pedindo licença para se sentarem perto dele. Reconheci logo aquela abordagem.

Ele deixou-as à vontade, claro; com um sorriso pouco sóbrio, pareceu-me surpreendido com tanta sorte, e a partir daí foi só sorrisos a avisar-me de que a sua imaginação seguiu sem rédeas. E como não? K tem uma daquelas caras que estão mesmo a pedir maus poemas, cheios de trigo, sol e mar; e B lembra-me uma actriz de um filme pornográfico que vi na adolescência, com uma testa ligeiramente alta, sinal de perversidade (talvez tenha lido isto num livro; não sei).

K é muito mais bonita que B, mas é B tem daqueles sorrisos que parece que ascendem aos lábios (de onde? Não sei, nem devo perguntar à minha imaginação, como talvez o rapaz do metro tenha feito).

Não sei porquê, mas K passava por hospedeira; tem uma expressão menos tensa, e a certa altura, também não sabemos porquê, ficamos à espera que ela que nos sirva um chá.

Reconheci logo a abordagem. Primeiro perguntam se se podem sentar ali, depois apresentam-se, e não demoram muito até que digam: segue-nos! Não sei quanto ao rapaz do metro, mas eu, jovem comprometido, fiel e crente, agarrei-me ao banco do comboio. Fiz-me da cor da roupa que não via. Temi a Deus.

Mas entretanto vim à tona para ouvir melhor.
Li nas camisolas Sister K e Sister B.
As nossas amigas são missionárias mórmon.

 António Trindade Vieira

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