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Raios e Coriscos

por cincodiasuteis, em 23.09.14

Ontem, Lisboa pareceu Veneza durante largas horas devido ao temporal que se abateu sobre a capital (já viram que só os fenómenos meteorológicos é que se abatem sobre alguma coisa?). Algumas das imagens são absolutamente impressionantes e é incrível como é que tudo não passou de danos materiais, pois em alguns sítios, como a Praça de Espanha, a água chegava à cintura das pessoas. A parte central da rotunda era as Ilhas Canárias.

 

O que é mais engraçado é ver a Câmara de Lisboa responsabilizar o Instituto Português do Mar e da Atmosfera por não ter previsto a quantidade de chuva que caiu. De facto, isto é uma evolução. Nunca vi ninguém ligar para a Maya a reclamar por ela ter falhado uma previsão e, certamente, não é por não as falhar. Este é, de resto, um dos hábitos da política portuguesa: tudo de dedo em riste a dizer que a culpa é do outro.

 

Para aqueles que ainda viam no António Costa um Messias, eis que as cheias os desmentem. Alguém viu o Presidente da Câmara de Lisboa andar sobre a água ontem, enquanto chovia torrencialmente? Nem a Moisés chega. Ao menos podia ter desviado as águas. Ou então transformado a água em vinho e tinha a maioria absoluta garantida. O ponto positivo de tudo isto é que até houve um momento em que se replicou a Arca de Noé: era a Assembleia da República.

 

Na impossibilidade de colocar uma algália ao S. Pedro, se calhar era melhor a Câmara de Lisboa tentar arranjar alguma solução para o escoamento da cidade. Em último caso, podem sempre arranjar umas gôndolas para os lisboetas.

 

Se o tempo estava difícil para todos aqueles que estavam na rua ou no rés-do-chão, mais difícil ainda estava para o Oceanário. De certo modo, aquilo pode ser considerado concorrência desleal. Por exemplo, eu vi a minha vizinha gorda a sair do prédio e ontem parecia-me uma garoupa.

 

Nem tudo está mal, ainda assim. Costuma dizer-se que a prevenção dos incêndios não se faz no Verão. Mudamos para o Outono e nem uma fogueirazinha se aguentava. Parabéns a quem trabalhou arduamente para que isto acontecesse.

 

Se calhar, a prevenção das cheias também não se faz nos dias antes ao mau tempo aparecer. Se calhar, é melhor tratar disso enquanto está sol. Digo eu. Mas já todos percebemos que, em Portugal, as consequências dos fenómenos climatéricos são como a moda: cíclicos. Na colecção Outono/Inverno ficamos com a água até ao pescoço e todos lamentamos e na colecção Primavera/Verão somos cozidos em forno de lenha e todos lamentamos.

 

Francisco Mendes

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