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Tacuara

por cincodiasuteis, em 04.08.14

As pessoas na novela - não dizem nada de jeito – parecem chatas e ocas e se não bastasse fazem imenso barulho; num dia como o de hoje estas coisas para além de intoleráveis, multiplicam a irritação e dão dores de cabeça. Vamos então desligar o televisor e fazer um minuto de silêncio, pois neste dia quatro de Agosto de dois mil e catorze o Sport Lisboa e Benfica perdeu o pé esquerdo de Óscar Cardozo.

 

 

[Minuto de Silêncio]

 

 

Aposto que mais de metade dos portugueses não sabem que Assucion é a capital do Paraguai, contudo não há um que não saiba que o matador veio de lá. Despedimo-nos sete anos, cento e setenta e dois golos, muitas alegrias e umas quantas birras depois do, ao que parece, goleador, coração mole e benfiquista: Óscar “Tacuara” Cardozo. Foi-se embora hoje e pelos vistos não demorou muito até aprender turco. No fundo, nós já sabíamos que ele era assim: dedicado ao seu clube, mesmo que as pernas às vezes não acompanhassem o coração - tinha uma mística enorme mesmo naqueles jogos em que só apetecia desmanchá-lo à porrada. Recordemos as cento e setenta e duas razões que ele nos deu para gritar até ficarmos sem voz e alertemos então o clube de Trabzon: "cuidado ele é perigoso." Numa altura, em que a nação benfiquista anda demasiado preocupada com todo este desfalque, eu viro a preocupação para outro lado. Saí Oblak, Siqueira, Rodrigo, André Gomes, Garay e depois? Jogadores sem pátria nascem todos os dias, símbolos só quando Deus beija a terra. Se era bom ou se era mau eu não sei; para mim era o Cardozo e isso fez-me chorar, rir, saltar e estragar uma televisão.

 

Agora vou voltar à novela, porque é triste que a realidade seja assim: sem Cardozo. 

 

Pedro Ramalhete

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