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Traumatismo Ucraniano

por cincodiasuteis, em 31.07.14

Nota prévia: sei bem que a queda de um avião é uma tragédia. Não me dá qualquer tipo de gozo, nem de satisfação. Estou solidário com as famílias das vítimas da mesma forma que estão todas as pessoas: não fazendo nada para além de dizer isto.

 

As últimas notícias têm-nos trazido a público a evidência de que isto está bom é para andar a pé. Nos últimos meses têm sido muitos os acidentes com aviões. Parece-me óbvio que é uma consequência dos preços cada vez mais baixos. Como diria Jerónimo de Sousa, “quando os aviões eram um transporte de ricos, não caíam”.

 

É claro que há sempre aquelas pessoas que se alarmam e começam a ficar com receio de andar de avião. Muito provavelmente, há mais pessoas a morrer por tomarem banho enquanto fazem a digestão do que em acidentes de avião.

 

O caso da Malaysia Airlines é uma daquelas coisas inexplicáveis. Dois acidentes com aviões deles no espaço de 131 dias (digo o número exacto para facilitar a vida àquelas pessoas que descobrem coincidências entre acontecimentos e datas). Já vi aviões de papel aguentarem mais tempo no ar do que um avião da Malaysia Airlines. E bem sei que no caso do segundo acidente, pelo menos, a companhia área não tem qualquer responsabilidade. Ninguém tem culpa de que um russo ou um ucraniano se lembre de que tem ali um míssil na arrecadação para nos atirar. Podiam lembrar-se de fazer tiro aos pratos, por exemplo. A direcção é a mesma, em princípio não matam ninguém e até sujam menos, mas não. Aparentemente, a única coisa a fazer é aceitar.

 

É mais ou menos comum ver nas notícias acidentes de aviões todos os anos. É curioso, no entanto, ver como a localização em que o avião cai, a nacionalidade da companhia aérea ou a origem e o destino modificam completamente o destaque dado. A cobertura dada à queda do avião Air Algérie comparada com a do anterior avião da Malaysia Airlines ou o da Air France em 2009 quase não existiu. Para além das vítimas, é isto que eu mais lamento.

 

Fica o reparo e o desejo de que daqui para a frente tenhamos muito tempo sem tragédias na aviação. Pode ser que assim o Miguel Araújo ainda consiga ir ver os aviões ou os O-Zone ainda gravem mais algum videoclipe nas asas de uma aeronave.

 

Francisco Mendes

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