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Uma Feira de Vaidades Chamada Facebook

por cincodiasuteis, em 01.10.14

As redes sociais conseguem ter tanto de útil, necessário e fascinante como de inútil, cansativo e bacoco. A moda recente dos desafios no Facebook começou muito bem, de um modo solidário, mas as pessoas decidiram ignorar essa parte. Para quê ser solidário quando se pode fazer parvoíce à borla, não é?

 

Há dois tipos de desafios: aqueles que servem para mostrar o bom gosto de quem os faz, por exemplo através da Literatura (eu fiz este, embora tenha escolhido realmente livros que me marcaram de alguma forma. Não uso o Facebook para mostrar quem sou), e outros que simplesmente não têm nenhuma intenção sem ser encher o feed de coisas inúteis, como é o caso do desafio das fotos de infância.

 

Eu não entendo como é que lançam desafios aos amigos e, caso eles não cumpram, têm que pagar-lhes um jantar. A ver se eu percebo o raciocínio: essas pessoas consideram que os amigos acham que é um castigo jantar com elas? Bem sei que cadeira eléctrica era capaz de ser um castigo demasiado pesado, mas poderia ser algo mais inteligente.

 

Este é o lado das redes sociais que mais me incomoda. O facto de as pessoas partilharem coisas para os outros verem. Se isso fosse usado como uma forma de mostrar algo que elas consideram útil ou que poderia mudar o dia ou a vida de alguém, não tinha nada contra. O problema é que a maioria das pessoas usa para mostrar o seu bom gosto. Veja-se, por exemplo, a música que algumas das pessoas partilham, quando, nós, conhecedores da pessoa em questão, sabemos perfeitamente que há outro tipo de música que essa pessoa ouve regularmente, mas não partilha por vergonha ou medo da censura.

 

O ex-libris disto mesmo é o spotify. Já pensaram na quantidade de pessoas que tem determinadas playlists públicas enquanto outras estão ocultas? Toda a gente sabe que esse é o critério fundamental para ter uma amizade forte. Eu, por exemplo, só sou amigo de pessoas que ouvem Toy, gostam de pudim e usam champô da Herbal Essences.

 

Posto isto, desafio todos a que arranjem uma nova moda. Desde os eventos falsos que não se via nada mais inútil pelo Facebook. E bem sei que posso sempre apagar algumas pessoas da minha lista de amigos da rede social ou ocultar as suas publicações do meu feed, mas depois como é que me revoltava nas crónicas? Pois.

 

Francisco Mendes

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