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Escandinavite

por cincodiasuteis, em 25.09.14

Sempre que é preciso ter um país como referência há a tendência para que seja um país da Escandinávia. Olhando para as estatísticas, é inegável que são dos países mais desenvolvidos do Mundo, mas não é preciso venerar ao ponto de pensar que é lá que se vive a utopia.

 

Aquilo que me incomoda mais é achar que se pode importar tudo desses países. Para mim, é mais ou menos o mesmo do que pensar em deitar abaixo o pinhal de Leiria e plantar lá Sequoias. Se se dão tão bem na Amazónia, porque é que não se haveriam de dar bem também cá? Há até um exemplo do inverso e que eu prezo muito. O bacalhau dá-se tão mal na Noruega que temos que ser nós, os portugueses, a tratar dele.

 

Para mim, o facto é: os países escandinavos sabem gerir bem os países deles. Isto não significa que soubessem verdadeiramente gerir os países dos outros (isto vai mais além daquelas bocas que todos mandam no Parlamento Europeu sobre a política e os países dos outros). Quem não concorda comigo que peça aos noruegueses, aos finlandeses ou aos suecos que venham governar Portugal. Se os portugueses iam estar melhor assim, para quê a teimosia de meter portugueses a tramar portugueses?

 

Claro que há muita coisa que eles fazem melhor. Por exemplo, o Breivik foi tão profissional que não andou para aí a comprar pão e “bolitos”. Por cá, nós temos o Manuel Palito e aí é claro que se nota a diferença. Mais! Cá aplaude-se o trabalho do Manuel Palito. É esta falta de exigência que faz com que o crime em Portugal não se profissionalize. Se continuam a ir a concertos do Tony Carreira, como querem que o Samuel Úria venda mais?

 

Outro exemplo claro disto é dado pela Suécia. Cá, nós temos o cavalo lusitano. Já os suecos misturam-nos com as almôndegas. Para quê criar um cavalo bonito e corajoso, quando se pode criar um cavalo suculento? Cá, também fazemos muitas piadas com loiras e há o preconceito de que elas são menos inteligentes. Lá, elas povoam um país de iluminados.

 

Em suma, eu admito que os países escandinavos são muito desenvolvidos, mas que, quando falamos de pessoas, não há nenhuma exactidão matemática nas medidas. Há muitos factores externos a ter em conta. Nem tudo dá para importar. Da mesma forma que não faz sentido um campino passear pelas ruas de Oslo a cavalo com a sua tradicional vestimenta, também não faz sentido um Viking no rio Tejo. Pensem nisso. Eu estou calmo. Ou como dizem os açorianos: Estocolmo.

 

Francisco Mendes

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