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Meritocracia

por cincodiasuteis, em 21.10.14

A busca de emprego é das coisas mais fascinantes que alguma vez já fiz na minha vida. Ainda estou à procura do meu primeiro emprego e, se soubesse, tinha começado logo quando o Google demorava tanto tempo a carregar que dava para irmos almoçar. Por um lado, talvez agora já tivesse arranjado alguma coisa. Por outro, há anúncios extremamente hilariantes.

 

Lembro-me de ver um anúncio muito engraçado em que pediam alguém de raça negra e que não tivesse os dentes da frente. Esta semana também já vi um em que pediam “ex-famosos”- aquelas pessoas que apareciam em revistas do social e entretanto desapareceram. O mais curioso é que nem sequer era nada relacionado.

 

Depois há uma imensa lista de profissões, normalmente com os nomes em inglês, em que é quase preciso tirar um curso superior só para saber o que é a profissão. Nomes que nunca tinha ouvido na vida. Há até casos de anúncios para a mesma empresa e cuja função é igual, mas designam o cargo de modos diferentes.

 

Aquilo que entristece verdadeiramente é ver a grande lista de trabalhos em que nada oferecem para além de bom ambiente de trabalho. Eu não sou contra estágios não-remunerados. Acho que podem ser úteis para mostrar trabalho. Sou contra o abuso dos estágios não-remunerados. Quer pelos estagiários, quer (e sobretudo) pelas empresas.

 

Esta é uma situação que só acontece porque a área do emprego carece de legislação apertada. Como é possível que haja empresas que todos os meses integrem estagiários e não paguem um cêntimo a nenhum nunca?

 

Outro exemplo muito claro para mim é o dos professores. Há, obviamente, excesso de professores no nosso país. Com tanto professor no desemprego, certamente que estarão alguns em actividade menos competentes. Para mim, é simples: as áreas com maior desemprego deviam ser filtradas pela competência. Se há gente a mais, que fiquem os melhores.

 

Eu gostava de viver num país onde a meritocracia imperasse. Quer na manutenção dos empregos, quer no acesso aos mesmos. A única razão que me faz não sentir revoltado quando não fico numa entrevista é não ser o melhor. Apenas porque é justo. Pode ser que um dia todos pensemos assim. Até lá, meritocracia é a minha palavra preferida.

 

Francisco Mendes

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