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Que gaita!

por cincodiasuteis, em 19.09.14

Os escoceses foram chamados às urnas para decidir sobre a sua dependência face ao Reino Unido e ganhou o “não” com 55,3%.

 

Se eu fosse um habitante de um dos outros países do Reino Unido, este referendo tinha-me passado completamente ao lado. Fosse qual fosse o resultado, toda a gente sabe quem é que veste as calças naquele Estado.

 

Não percebo as notícias dos dias anteriores que diziam que este acto eleitoral poderia ser o fim do Reino Unido, caso ganhasse o “sim”. Na verdade, eu acho precisamente o contrário. Se a Escócia fosse independente, finalmente os países do Reino Unido iam estar verdadeiramente unidos. Assim, o Reino Unido continua com uma boa percentagem de pessoas mortinhas para dar de frosques assim que possível (é mesmo este o termo utilizado em Ciência Política e em Geografia).

 

Este tipo de referendos dá sempre a sensação de que se repetem até que o resultado seja outro. Tal como aconteceu em Portugal com o referendo do aborto. É um bocado como as crianças quando viajam de carro e perguntam de minuto a minuto se estão a chegar. Este é um bom motivo para que aqueles que ficaram insatisfeitos não desanimem. Provavelmente, mais cedo ou mais tarde vão conseguir a sua independência mesmo que, por enquanto, seja como o Monstro de Loch Ness: está na cabeça de muitos, mas ainda ninguém o viu.

 

Consigo perfeitamente imaginar os independentistas em frente à TV com uma bandeira da Escócia à espera de que saíssem os resultados das primeiras projecções. Devem ter bradado “que gaita!”. E a vida é mesmo assim. Há dias muito bons e há dias que conseguem ser uma gaita. Sobretudo para os escoceses.

 

Francisco Mendes

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