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Há pedras na eternidade?

por cincodiasuteis, em 30.07.14

Dar pela eternidade tem muito mais a ver com o modo como se olha para as coisas do que para que coisas se olha. 
Não nego, contudo, as estatistícas que imagino: essa epifania máxima dá-se mais vezes quando alguém dirige o olhar para o oceano, para o céu ou para um olho, por exemplo.
No meu caso, quando este nosso cativeiro me tenta, raparo nas pedras. 

Parece-me muito claro que Deus criou as ondas já a pensar nas escarpas.
Nunca vira ali aquela pedra - estaria lá antes? Sentei-me nela, fechei os olhos e descansei durante um tempo. 

 

Se as pedras da minha casa forem as nossas únicas armas, abdicarei de manter as paredes de pé.
E não falo necessariamente de armas de arremesso, irmãos.

(...)

Há uns anos subtraí pedras a uma estrutura - a caminho de ser uma casa -, mas não as atirei a ninguém. 

Fiquei com um monte de pedras.
É que posso sempre subir a um monte de pedras para tentar perceber se ao meu redor há um caminho, o que nem sempre uma janela permite.
Que belo monte de pedras era aquele, na medida em que, por não ser belo, pouco olhei para ele. Subi-o de imediato e vi-vos.

(...)

Por vezes a devastação da cidade multiplica os púlpitos.

Confiemos nas pedras...

 

E, de facto, acordei no mesmo sítio. Em vez de uma multidão, ningúem estava a ouvir-me; deixei a eloquência no sonho; e, no entanto, que alegria! No meu peito senti uma pedra que não era peso - estaria lá antes?

 

António Trindade Vieira

 

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