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Robin

por cincodiasuteis, em 12.08.14

Isso de morrer é diário. Acabamos todos por sentir a perda e todos os dias alguém tem de passar por isso. Ontem foi a vez da minha geração perder alguém muito querido ao seu imaginário infantil. O Robin Williams morreu a chorar.

 

Era um actor exagerado, espampanante e se o realizador não fosse bom havia a tendência de dissolver o filme naquela histeria toda. Nunca me deixei deslumbrar por ele, mas havia qualquer coisa de magnético, comovente e enternecedor nos filmes dele – e por mérito do próprio lá nos envolvíamos naquelas personagens. Sabiam entreter aquelas personas de Williams, que pareciam trabalhadas para ser uma constante transversal a todos os seus filmes: espelhava valores familiares, proclamava o heroísmo através da trapalhice e a irreverência era performativa e fazia rir estupidamente porque é chato o contrário. Agora sabemos que aqueles olhos falavam de tristeza. Sempre me deu a ideia de que ele era um miúdo que envelheceu sem crescer e isso só pode ser maldade da ironia: três filmes em que entrou abordam esse tema: no Jack  de Francis Ford Coppola é um miúdo cujo corpo cresce sem parar, em  Hook, a deprimente aventura de Steven Spielberg, faz de Peter Pan e em Jumanji de Joe Johnston é um rapaz que perdeu a oportunidade de crescer porque fica preso num jogo de tabuleiro. Não precisou de crescer, teve o seu tempo e marcou quem teve de marcar. Eu só o conheci a fazer piadas e essa foi a receita nos seus filmes e na sua vida: rir, rir, rir até gastar os olhos.    

 

O que mais mexia comigo era o Jumanji, o mais divertido o The Birdcage e o meu preferido o The Fisher King. A melhor homenagem que lhe posso fazer é recomendar estes três filmes, porque quem não os viu não teve infância. 

 

Pedro Ramalhete

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